Áreas de Atuação

Bem-vindo à página sobre o dia a dia da minha atuação em Ortopedia e Cirurgia da Mão.

 

Acredito que a transparência e a informação trazem segurança ao tratamento. Aqui, apresento o universo da nossa especialidade: as lesões que tratamos, os exames diagnósticos e os materiais e equipamentos de alta precisão que utilizamos, além de detalhar a segurança da anestesia e as etapas da reabilitação para sua recuperação completa.

 

Para explorar cada um desses temas, basta clicar nos botões do menu abaixo.

Minhas Especialidades

Ortopedia

Ortopedia

A Ortopedia cuida da saúde global do sistema musculoesquelético. Minha atuação vai além da cirurgia: envolve o diagnóstico preciso e o tratamento clínico de dores, inflamações e desgastes articulares.

 

O objetivo é tratar deformidades — sejam elas congênitas ou adquiridas — e restaurar a função mecânica do corpo, permitindo que o paciente retome sua mobilidade com qualidade de vida.

Traumatologia

Traumatologia

Ramo dedicado às urgências e lesões agudas, como fraturas, luxações e lesões ligamentares decorrentes de acidentes, quedas ou prática esportiva.

 

Na traumatologia do membro superior, o tempo e a precisão são cruciais. Buscamos o tratamento imediato para alinhar as estruturas ósseas e reparar tecidos, evitando sequelas permanentes e garantindo uma reabilitação mais rápida.

Cirurgia da Mão

Cirurgia da Mao

Uma especialidade que une conhecimentos ortopédicos, vasculares e neurológicos. Tratamos não apenas a mão, mas todo o membro superior (do cotovelo às pontas dos dedos).

 

A mão possui uma anatomia complexa, com 27 ossos e uma rede intrincada de tendões e nervos. O especialista é o único capacitado para navegar com segurança por essas estruturas, preservando a sensibilidade e os movimentos finos.

Microcirurgia Reconstrutiva

Microcirurgia

A união da medicina com a tecnologia de precisão. Utilizando microscópios e lupas de alta magnificação, realizamos o reparo de estruturas invisíveis a olho nu.

 

É fundamental para reconstruir nervos periféricos lesionados, suturar vasos sanguíneos de menos de 2 milímetros e realizar retalhos complexos, sendo muitas vezes o fator decisivo para o salvamento de um membro traumático.

O Que Tratamos: Tipos de Lesões

A Estrutura do Osso

Ao contrário do que parece, o osso é um tecido vivo, vascularizado e em constante renovação.

  • Macroscopicamente: Dividimos os ossos longos (como os do dedo e antebraço) em três partes: a Epífise (as pontas articulares), a Metáfise (região de transição rica em suprimento sanguíneo) e a Diáfise (o corpo central, mais rígido).

  • Microscopicamente: É formado por uma matriz de cálcio (dureza) e colágeno (flexibilidade), organizada em camadas compactas externas e trabeculados (esponjosos) internos.

O que é uma Fratura?

A fratura é a perda da continuidade óssea, ou seja, a quebra da estrutura rígida do esqueleto. Ela ocorre quando o osso é submetido a uma força maior do que ele pode suportar. O tratamento visa não apenas ‘colar’ o osso, mas restaurar sua anatomia original para garantir o movimento perfeito.

Classificação pelo Traço (Geometria)

Ilustração médica comparando fratura simples versus fratura cominuta. O diagrama exibe a diferença entre a lesão de traço único e a fragmentação óssea múltipla de alta energia em uma mesma visão anatômica.
  • Fratura Simples: Ocorre quando há apenas um traço de fratura, dividindo o osso em duas partes. Geralmente, é mais fácil de alinhar e tratar.

  • Fratura Cominuta: Uma lesão de alta energia onde o osso se fragmenta em três ou mais pedaços. É como um ‘quebra-cabeça’ que exige reconstrução cirúrgica complexa e placas especiais para estabilização.

Classificação pela Localização

Ilustração médica comparativa: Fratura Diafisária localizada no corpo do osso versus Fratura Articular atingindo a superfície da cartilagem e a articulação.
  • Fratura Diafisária: Acontece no corpo do osso (diáfise), a parte longa e central. Geralmente não afeta o movimento da articulação diretamente.

  • Fratura Articular: Atinge a superfície da articulação (cartilagem). É uma lesão crítica: se o ‘degrau’ articular não for corrigido com precisão milimétrica, pode levar ao desgaste precoce (artrose) e dor crônica.

Tipos Específicos

Ilustração médica comparativa de três tipos de fraturas: Fratura-Avulsão (arrancamento ósseo por ligamento ou tendão), Fratura Exposta (osso perfurando a pele com risco de infecção) e Fratura Patológica (quebra em osso fragilizado por cisto ou tumor).
  • Fratura-Avulsão: Ocorre quando um ligamento ou tendão é esticado violentamente e ‘arranca’ um pedaço do osso onde estava preso. Muito comum nos dedos (trauma esportivo).

  • Fratura Exposta: Uma urgência ortopédica onde a ponta do osso perfura a pele, entrando em contato com o meio externo. O risco de infecção é alto, exigindo limpeza cirúrgica imediata.

  • Fratura Patológica: Quando o osso quebra devido a uma fragilidade pré-existente (como um tumor ou cisto), e não por um trauma forte. O osso quebra ‘sozinho’ ou com esforço mínimo.

Fraturas Infantis (O Osso da Criança)

Ilustração médica comparativa de fraturas em crianças: Fratura em Tórus (compressão com 'ruga' óssea), Fratura em Galho Verde (incompleta/envergada) e Fratura Epifisária (Classificação de Salter-Harris na placa de crescimento).

O esqueleto da criança apresenta características únicas: é mais elástico e possui zonas de crescimento ativo. Por isso, sofre tipos específicos de lesão que não ocorrem nos adultos:

  • Tórus: Uma fratura por compressão, muito comum no punho após quedas. O osso não se separa, mas sofre uma impacção e cria uma pequena ‘ruga’ ou saliência lateral, como se tivesse amassado.
  • Galho Verde: Semelhante a tentar quebrar um ramo verde de árvore. O osso enverga e a fratura ocorre apenas no lado da tensão (convexo), permanecendo intacto do lado oposto.

  • Epifisária (Salter-Harris): Atinge a placa de crescimento (fise). É a lesão mais delicada, pois exige um alinhamento perfeito para evitar que o osso pare de crescer ou cresça com deformidades no futuro.

O que é uma Articulação?

Ilustração médica da anatomia da articulação interfalangiana proximal (IFP) do dedo. Detalha a cápsula articular, cartilagem hialina, ligamentos e o espaço preenchido por líquido sinovial.

A articulação é a ‘dobradiça’ que conecta dois ossos. Ela é uma estrutura complexa composta por cartilagem (que amortece o impacto), envolta por uma cápsula articular (um envelope impermeável) e estabilizada pelos ligamentos. No interior dessa cápsula, banhando tudo isso, existe o líquido sinovial: um fluido viscoso fundamental para nutrir a cartilagem e lubrificar o movimento, reduzindo o atrito.

Para que Servem os Ligamentos?

Os ligamentos são como cintas fibrosas, firmes e pouco elásticas, que prendem um osso ao outro. A função deles é estática: eles limitam o movimento para que ele não vá além do normal. São os ‘freios’ de segurança que impedem que o dedo ou punho dobrem para lados que não deveriam.

Graus de Lesão: Estiramento e Rotura

Quando forçamos a articulação além do limite, ocorre a entorse.

  • Estiramento: As fibras do ligamento são esticadas, causando dor e inchaço, mas sem se romperem.

  • Rotura: O trauma é forte o suficiente para rasgar o ligamento (parcial ou totalmente). Aqui, a ‘cinta de segurança’ falha.

O Mito da "Luxação"

Ilustração médica de uma Luxação Dorsal da articulação Interfalangiana Proximal (IFP) do dedo. Demonstra a perda total de contato articular, deslocamento da falange média e ruptura da placa volar e ligamentos.

Existe uma confusão popular onde se diz ‘foi só uma luxação’ para se referir a uma batida leve. Na medicina, é o oposto. A Luxação ocorre quando a articulação se desfaz completamente e os ossos perdem o contato (saem do lugar). Isso exige a ruptura grave de ligamentos e da cápsula articular. É uma urgência que precisa ser colocada no lugar (reduzida) imediatamente para não comprometer a circulação sanguínea.

Instabilidade Crônica

Se uma lesão ligamentar ou uma luxação não forem tratadas corretamente (com imobilização adequada ou cirurgia), os ligamentos cicatrizam ‘frouxos’. Isso leva à instabilidade: a articulação perde a firmeza, causando dor, falta de força e a sensação de que o osso está saindo do lugar durante o uso da mão.

Cisto Sinovial ("O Caroço")

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É o tumor benigno mais comum da mão e punho. O cisto ocorre quando há uma falha na cápsula articular (uma ‘hérnia’), permitindo que o líquido sinovial vaze para fora e forme uma bolsa sob a pele.

 

Existem variações específicas dependendo da localização, como o Cisto Dorsal de Punho (o mais comum), o Cisto Mucoso (nas articulações finais dos dedos) e o Cisto de Polia (na base dos dedos). Embora não sejam graves, podem limitar a mobilidade e causar dor. O tratamento visa fechar essa falha na cápsula para evitar recidivas.

Anatomia: O Motor e a Corda

tendoes e musculos

Para haver movimento, precisamos de duas peças fundamentais:

  • O Músculo: É o motor biológico. Ele fica localizado principalmente no antebraço e tem a capacidade de contrair (encurtar), gerando força.

  • O Tendão: É a corda de transmissão. Ele não contrai, mas é extremamente resistente. Sua função é conectar o músculo ao osso, transferindo a força gerada no antebraço até a ponta dos dedos para gerar o movimento.

Lesões Musculares (Estiramentos)

Ocorrem quando as fibras do músculo são esticadas além do limite ou sofrem impacto direto.

 

Curiosidade: Diferente do futebol ou corrida, onde lesões musculares na coxa e panturrilha são frequentes, na Cirurgia da Mão as roturas do ventre muscular são menos comuns. No membro superior, a estrutura que costuma falhar sob tensão é o tendão ou sua inserção óssea, e não o músculo em si.

Lesões Tendíneas Traumáticas

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São as lesões mais frequentes em emergências. Como os tendões da mão correm muito próximos à pele, qualquer corte com vidro ou faca pode seccioná-los (“cortar o cabo de aço”).

  • Flexores: O paciente perde a capacidade de dobrar o dedo.

  • Extensores: O paciente não consegue esticar o dedo. O tratamento é sempre cirúrgico para reconectar as pontas.

Rupturas Tendíneas Espontâneas (Degeneração)

Nem toda ruptura vem de um corte. Em casos crônicos, o tendão pode se romper ‘sozinho’ devido ao desgaste silencioso. Isso ocorre principalmente em pacientes com Artrite Reumatoide (inflamação crônica) ou após fraturas de punho antigas, onde o tendão fica raspando em irregularidades ósseas ou placas até se romper por atrito (agindo como uma corda roçando em uma pedra).

Tendinites e Tenossinovites

Infográfico médico horizontal dividindo três mecanismos de tendinopatias ('tendinites'): 1. Sobrecarga e microtraumas levando à degeneração (tendinose); 2. Atrito e compressão da bainha em túneis estreitos (causa de Dedo em Gatilho e De Quervain); 3. Alteração da qualidade do tendão por fatores metabólicos e sistêmicos (Diabetes, Artrite Reumatoide).

Embora popularmente chamadas de ‘tendinite’, as doenças dos tendões não ocorrem apenas por esforço repetitivo. Elas são o resultado de um desequilíbrio entre a carga que o tendão recebe e sua capacidade biológica de se regenerar. Classificamos em três mecanismos principais:

  • Sobrecarga e Microtraumas (Overuse): Quando o uso repetitivo excede a resistência das fibras de colágeno. Isso gera micro-rupturas que o corpo tenta cicatrizar, mas, se o esforço continuar, o tecido entra em um ciclo de degeneração (tendinose), tornando-se mais fraco e doloroso, mesmo sem ‘esfregar’ em nada.

  • Atrito e Compressão (Tenossinovites): Nos locais onde os tendões passam por túneis estreitos (polias e retináculos), o inchaço da bainha que envolve o tendão prejudica o deslizamento. É o mecanismo clássico do Dedo em Gatilho e da Tendinite de De Quervain.

  • Fatores Metabólicos e Sistêmicos: Doenças como Diabetes e Artrite Reumatoide, além de alterações hormonais, modificam a qualidade do tecido tendíneo, tornando-o mais rígido e suscetível a inflamações, independente do nível de atividade física do paciente.

O que é um Nervo?

Ilustração médica utilizando a analogia de um cabo elétrico para explicar a anatomia do nervo periférico. Mostra a estrutura interna organizada em feixes (fascículos) de neurônios, a capa protetora (epineuro) e a nutrição sanguínea pelos microvasos (vasa nervorum).

Imagine um cabo elétrico complexo. O nervo é formado por milhares de fibras (neurônios) que transportam sinais elétricos através de sinapses. Ele é revestido por camadas de proteção (Epineuro) e organizado em feixes (Fascículos). Diferente de um fio comum, o nervo é vivo: ele precisa de sangue para funcionar, nutrido por microvasos que correm em seu interior, chamados de Vasa Nervorum.

Funções: Sensibilidade e Motricidade

Nem todos os nervos são iguais. Eles se dividem em três categorias:

  • Sensitivos: Apenas captam informações do ambiente (tato, dor, temperatura) e enviam ao cérebro.

  • Motores: Apenas transportam o comando elétrico do cérebro até o músculo para gerar movimento.

  • Mistos: A maioria dos grandes nervos da mão (como o Mediano e Ulnar) possui os dois tipos de fibras no mesmo cabo. Uma lesão neles afeta tanto o sentir quanto o mover.

Síndromes Compressivas

Ilustração médica composta sobre síndromes compressivas: a imagem central detalha a fisiopatologia da compressão dos vasa nervorum causando isquemia do nervo. Painéis menores mostram a anatomia dos sítios mais comuns: Síndrome do Túnel do Carpo (nervo mediano), Síndrome do Túnel Cubital (nervo ulnar no cotovelo) e Canal de Guyon.

Os nervos percorrem trajetos longos, passando por dentro de túneis estreitos formados por ossos e ligamentos (como se fossem ‘gargalos’).

  • Como ocorre: Quando há aumento de pressão nesses túneis (por inflamação, inchaço ou anatomia), os microvasos que nutrem o nervo (Vasa Nervorum) são comprimidos. Isso causa isquemia (falta de sangue), levando ao sofrimento do nervo, formigamento e, se não tratado, à morte das fibras.

  • Sítios mais comuns: A compressão mais frequente é no punho (Síndrome do Túnel do Carpo – Nervo Mediano), seguida pela compressão no cotovelo (Síndrome do Túnel Cubital – Nervo Ulnar) e no canal de Guyon.

  • O Tratamento: Visa abrir o teto desse túnel para restaurar o fluxo sanguíneo. Mesmo em casos crônicos onde já existe sequela, a cirurgia é fundamental para estancar a perda de função e permitir a recuperação possível do nervo.

Trauma: Cortes e Neuromas

Esquema visual mostrando a secção completa do nervo mediano ao nível do punho e a consequente perda de sensibilidade (anestesia) no território da palma e dedos inervados por ele.

Quando um nervo é cortado (por vidro, faca ou trauma), a desconexão é imediata. A região adiante do corte perde suas funções: fica anestesiada (sem sensibilidade) e paralisada (sem movimento).

 

O Tratamento (Neurorrafia): O nervo cortado não consegue cruzar a falha sozinho; ele precisa de um guia. A microcirurgia reconecta os tubos neurais para orientar o crescimento das fibras. Isso é vital para ambos:

  • Motores: Existe uma urgência maior, pois se o músculo ficar muito tempo sem sinal, ele atrofia e perde a capacidade de voltar a funcionar.

  • Sensitivos: O reparo é essencial para devolver o tato (proteção da mão) e evitar a formação do Neuroma — uma cicatriz dolorosa na ponta do nervo cortado que gera choques ao menor toque.

Tumores Neurais

nervos schwannoma

São nódulos que crescem nas células que revestem o nervo. O tipo mais comum é o Schwannoma. Felizmente, a grande maioria é benigna e de crescimento lento. O sintoma clássico é o sinal de ‘Tinel’: um choque que corre para a ponta dos dedos ao batermos levemente sobre o local. A microcirurgia permite remover o tumor preservando, na maioria das vezes, a função do nervo.

Diagnóstico e Exames Complementares

Radiografia (Raio-X)

Radiografia do punho em incidência AP (Anteroposterior). Exame real exibindo a estrutura óssea do rádio, ulna e carpo para diagnóstico de fraturas e artrose.

É o exame inicial para quase todas as queixas. Fundamental para visualizar a estrutura óssea, identificar fraturas, avaliar o alinhamento das articulações e detectar sinais de desgaste (artrose).

Tomografia Computadorizada

Imagem de corte coronal de Tomografia do punho, exibindo a anatomia interna dos ossos e a congruência articular com alta definição, superior ao Raio-X convencional.

Funciona como um Raio-X avançado em 3D. É essencial no planejamento cirúrgico de fraturas complexas (que envolvem a articulação) e para avaliar se o osso está consolidando (‘colando’) corretamente.

Ultrassonografia

Ultrassonografia do túnel do carpo: imagem real destacando o nervo mediano e os tendões flexores. Exame dinâmico essencial para diagnosticar compressão nervosa e guiar infiltrações.

Um exame dinâmico e ágil. Permite avaliar tendões, ligamentos e cistos em tempo real, inclusive com a mão em movimento. Ótimo para guiar infiltrações e diagnosticar inflamações.

Ressonância Magnética

Ressonância Magnética do dedo em corte sagital: imagem de alta definição das falanges e partes moles. Padrão-ouro para diagnóstico de lesões ligamentares, tumores e necrose óssea.

O padrão-ouro para partes moles. Oferece imagens de altíssima definição para diagnosticar lesões de ligamentos profundos, cartilagem, tumores ou necrose óssea (falta de circulação).

Eletroneuromiografia

Teste elétrico dos nervos (Eletroneuromiografia) sendo realizado para avaliar a velocidade do impulso nervoso e diferenciar compressões na mão de lesões na coluna.

O ‘teste elétrico’ dos nervos. Avalia a velocidade de condução do impulso nervoso, sendo indispensável para confirmar diagnósticos de compressão (como Túnel do Carpo) e diferenciar de problemas na coluna cervical.

Exames Laboratoriais

Foto de um tubo de ensaio com sangue posicionado em cima de um laudo laboratorial impresso, destacando os valores da série vermelha e branca do hemograma.

Análises de sangue fundamentais para o preparo pré-operatório (risco cirúrgico) e para investigar doenças sistêmicas que afetam a mão, como Artrite Reumatoide, Gota e Diabetes.

Opções de Tratamento

Introdução

Nossa filosofia é clara: a cirurgia deve ser indicada apenas quando os métodos conservadores não são suficientes ou quando a lesão exige intervenção imediata. Grande parte dos problemas da mão e do punho pode ser tratada de forma não invasiva.

Fraturas sem Desvio e Redução Incruenta

  • Fraturas Estáveis: Quando o osso quebra, mas os fragmentos continuam alinhados (sem desvio), o tratamento exige apenas manter a região imóvel para que o corpo forme o calo ósseo.

  • Redução Incruenta (“Colocar no lugar”): Se houver um desvio leve ou uma luxação (osso fora da junta), realizamos manobras manuais sob anestesia local para realinhar a estrutura sem a necessidade de cortes cirúrgicos.

Tipos de Imobilização

Para garantir o repouso da estrutura lesada, escolhemos a imobilização ideal para cada fase do tratamento:

  • Tala Gessada: Usada na fase aguda (logo após o trauma), pois é aberta de um lado e permite que o membro inche com segurança.

  • Gesso Circular: Utilizado após o inchaço diminuir, oferecendo imobilização rígida e definitiva.

  • Tala Metálica: Pequenas hastes de alumínio forradas, ideais para imobilizar fraturas simples ou lesões de tendão apenas na ponta dos dedos.

  • Órteses Sob Medida: Confeccionadas em material termoplástico por Terapeutas da Mão. São leves, removíveis para o banho e mantêm a posição exata para a cicatrização.

  • Buddy Taping (Sinergia): Técnica simples onde unimos o dedo fraturado ou torcido ao dedo vizinho sadio com esparadrapo. O dedo bom serve como uma “tala viva” para o dedo machucado.

Infiltrações e Medicações

Infiltrações: Aplicação de medicamentos (como anti-inflamatórios ou ácido hialurônico) diretamente no local da dor. É um tratamento altamente eficaz para tendinites (como o Dedo em Gatilho) e desgaste articular (Artrose), aliviando a dor sem cirurgia.

Introdução

Quando a cirurgia é o melhor caminho para restaurar a função da sua mão, dispomos de um arsenal tecnológico avançado. A Cirurgia da Mão é uma área de extrema delicadeza, onde o sucesso depende do respeito à anatomia e do uso de materiais de alta precisão.

A Filosofia do Acesso Cirúrgico

  • Fixação Percutânea: Em algumas fraturas, não precisamos abrir a pele. Inserimos pinos metálicos através de “furos” milimétricos, guiados por Raio-X em tempo real. É uma técnica rápida e minimamente invasiva.

  • Redução Aberta (A Via Cirúrgica): Quando o osso precisa de reconstrução visual direta, fazemos uma incisão. O grande diferencial da nossa especialidade é a dissecção cuidadosa: antes de chegar ao osso, isolamos, afastamos e protegemos cada nervo, vaso sanguíneo e tendão, garantindo que nenhuma estrutura nobre seja lesada.

Materiais de Fixação (Implantes)

Utilizamos implantes de titânio ou aço cirúrgico de qualidade internacional para estabilizar os tecidos:

  • Placas e Parafusos (Mini e Micro fragmentos): Placas extremamente finas desenhadas para caber nos pequenos ossos dos dedos sem raspar nos tendões.

  • Placas Bloqueadas de Rádio Distal: O padrão-ouro para fraturas do punho. Os parafusos “travam” na placa, criando uma estrutura tão firme que permite ao paciente movimentar os dedos logo nos primeiros dias após a cirurgia.

  • Parafuso de Herbert: Um parafuso especial que fica totalmente escondido dentro do osso (não tem “cabeça”). Essencial para fraturas do osso Escafoide.

  • Fios de Kirschner: Pinos lisos usados como guias ou para fixação temporária de ossos e articulações.

  • Âncoras: Pequenos “parafusos com fios de sutura” usados para amarrar e reinserir ligamentos e tendões rompidos de volta ao osso.

Tecnologia de Apoio

Para garantir resultados milimétricos e proteção aos tecidos, o ambiente cirúrgico conta com:

  • Garrote Pneumático: Funciona como um equipamento de pressão de alta precisão colocado no braço. Ele pausa temporariamente e de forma segura o fluxo de sangue para a mão. Isso cria um campo cirúrgico totalmente limpo e sem sangramentos, uma condição obrigatória na nossa especialidade para conseguirmos enxergar estruturas minúsculas com clareza absoluta.

  • Bisturi Elétrico (Monopolar e Bipolar): Equipamento vital para cauterizar (selar) os vasos sanguíneos cortados e evitar sangramentos. Dispomos de duas tecnologias:

    • Monopolar: Utilizado para cortes e coagulação de áreas um pouco maiores e superficiais.

    • Bipolar: Essencial na microcirurgia. É uma pinça finíssima onde a corrente elétrica passa apenas entre as duas pontas. Isso nos permite cauterizar um microvaso que esteja colado a um nervo, sem que a energia “vaze” e machuque as estruturas nobres vizinhas.

  • Radioscopia (Arco em C): Um aparelho de Raio-X contínuo que nos permite ver os ossos e a posição exata dos implantes em tempo real, funcionando como um “GPS” anatômico para guiar cirurgias minimamente invasivas.

  • Lupas de Magnificação e Microscópio: Equipamentos ópticos que ampliam a visão. São indispensáveis para identificar e suturar (costurar) nervos e artérias, que frequentemente têm a espessura de um fio de cabelo.

  • Artroscópio e Lâmina Endoscópica: Câmeras de alta definição introduzidas através de furos milimétricos. São usadas para visualizar e tratar lesões dentro das articulações (Artroscopia de punho) ou para liberar o Túnel do Carpo por vídeo, proporcionando cortes menores, menos dor e uma recuperação acelerada.

Anestesia e Segurança

A escolha da anestesia é feita de forma individualizada, visando o conforto e, acima de tudo, a segurança do paciente. Trabalhamos com diversas modalidades:

  • WALANT (Wide Awake Local Anesthesia No Tourniquet): Uma técnica moderna onde o paciente permanece acordado, sem sedação profunda e sem a dor do garrote. Permite testar o movimento dos tendões durante a própria cirurgia.

  • Bloqueios Regionais Distais: Anestesia aplicada apenas na região do punho ou dos dedos, ideal para procedimentos menores.

  • Bloqueio de Plexo Braquial: Adormece todo o membro superior (do ombro à mão), oferecendo excelente controle de dor no pós-operatório imediato.

  • Sedação e Anestesia Geral: Reservadas para procedimentos mais longos ou para pacientes que preferem dormir durante todo o processo, sempre com monitoramento contínuo do médico anestesiologista.

Reabilitação e Terapia da Mão

A cirurgia é apenas metade do caminho. Na Cirurgia da Mão, o pós-operatório é tão importante quanto o procedimento em si.

 

Acompanhamos de perto o processo de reabilitação em parceria com Terapeutas da Mão. Protocolos específicos de mobilização precoce são instituídos para evitar rigidez articular e aderências tendíneas. O uso de órteses personalizadas e exercícios direcionados são fundamentais para que o paciente recupere a força, a sensibilidade e a função completa para retornar ao trabalho e ao esporte.