Artrose do Punho
A artrose do punho é uma condição degenerativa que causa dor progressiva e perda de movimento. Embora muitas vezes associada ao envelhecimento natural, no punho ela tem uma particularidade: frequentemente é a consequência tardia de fraturas ou lesões ligamentares antigas que não cicatrizaram perfeitamente.
Entender a causa do desgaste é fundamental para escolher o melhor tratamento e preservar a função da mão.

O Que É?
A Artrose (ou Osteoartrite) é o desgaste da cartilagem, a capa lisa e branca que reveste as extremidades dos ossos. A cartilagem funciona como um “amortecedor” e permite que os ossos deslizem suavemente uns sobre os outros.
Quando essa capa se desgasta, o osso começa a raspar diretamente no osso (“osso com osso”). Isso gera inflamação, deformidade, inchaço e, principalmente, dor. No punho, que é uma articulação complexa formada por múltiplos ossos pequenos, esse desgaste pode comprometer significativamente a capacidade de usar a mão.
Causas e Fatores de Risco
Diferente de outras articulações (como joelho ou quadril), a artrose do punho raramente acontece “sozinha” apenas pela idade. Na grande maioria dos casos, existe uma causa prévia (histórico de trauma):
Pseudoartrose do Escafoide (SNAC): É uma das causas mais comuns. Quando uma fratura do osso escafoide não cola (não consolida), o osso “desaba” com o tempo. Isso altera toda a mecânica do punho, causando um desgaste acelerado e devastador chamado de SNAC (Scaphoid Non-union Advanced Collapse).
Sequela de Fratura do Rádio: Fraturas antigas do antebraço (rádio distal) que consolidaram com algum degrau na articulação ou desalinhamento podem agir como uma “lixa”, desgastando a cartilagem ao longo dos anos.
Lesões Ligamentares (SLAC): A ruptura do ligamento entre o escafoide e o semilunar, se não tratada, leva a uma instabilidade que causa artrose progressiva (SLAC wrist).
Doenças Inflamatórias: Artrite Reumatoide e Gota podem destruir a cartilagem.
Doença de Kienböck: Quando o osso semilunar sofre necrose (morre por falta de sangue) e colapsa.
Sintomas Mais Comuns
A doença é progressiva, ou seja, piora lentamente com o passar dos anos.
Dor: Inicialmente, a dor aparece apenas após esforços pesados ou apoio de mão (como flexão de braço). Com a evolução, a dor torna-se constante, mesmo em repouso.
Rigidez: Perda progressiva do movimento. O paciente percebe que não consegue mais dobrar o punho tanto quanto antes.
Inchaço: O punho pode parecer mais “largo” ou inchado devido à inflamação e formação de osteófitos (bicos de papagaio).
Perda de Força: Dificuldade para abrir potes, torcer panos ou segurar objetos pesados.
Estalidos: Sensação de areia ou rangido ao mover o punho.
Diagnóstico
O diagnóstico é iniciado com uma avaliação clínica detalhada, perguntando sobre quedas ou traumas que podem ter ocorrido há 10 ou 20 anos.
Raio-X: É o exame principal e, na maioria das vezes, suficiente. Ele mostra a diminuição do espaço entre os ossos (perda da cartilagem), a presença de cistos e esclerose (osso duro/branco). O Raio-X permite classificar o estágio da artrose (especialmente nos casos de SNAC e SLAC).
Tomografia Computadorizada: Útil para avaliar a deformidade óssea tridimensionalmente e planejar cirurgias.
Ressonância Magnética: Pode ser usada em fases muito iniciais, quando o Raio-X ainda é normal, para ver o edema no osso e a qualidade da cartilagem.
Tratamento
A artrose não tem cura (a cartilagem não nasce de novo), mas tem controle. O objetivo é tirar a dor.
Tratamento Conservador (Sem Cirurgia):
Mudança de Hábitos: Evitar atividades de impacto ou carga excessiva sobre os punhos.
Órteses (Talas): O uso de munhequeiras rígidas ajuda a estabilizar a articulação e aliviar a dor durante crises ou atividades manuais.
Medicamentos: Analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor aguda.
Terapia da Mão: Para manter o movimento e a força muscular.
Infiltração: A injeção de corticoide dentro da articulação pode oferecer um alívio temporário importante da dor.
Cirurgia
A cirurgia é indicada quando a dor é limitante e o paciente não consegue mais realizar suas atividades diárias, apesar do tratamento conservador.
Existem diversas opções, dependendo do grau de desgaste e da idade do paciente:
Denervação do Punho: Uma cirurgia que apenas “corta” os nervos que transmitem a dor do punho, mantendo o movimento e a anatomia. Indicada para casos leves a moderados.
Carpectomia da Fileira Proximal: O cirurgião remove os três ossos da primeira fileira do carpo (escafoide, semilunar e piramidal). Isso cria uma nova articulação “folgada” e sem dor, mantendo bom movimento.
Artrodese Parcial (Fusão): “Solda-se” apenas os ossos doentes entre si (ex: artrodese de 4 cantos), retirando o osso causador do problema (geralmente o escafoide). Mantém parte do movimento do punho.
Artrodese Total (Fusão Total): É a solução definitiva para casos graves. O punho é fixado rigidamente com uma placa. A dor desaparece completamente, mas o punho não dobra mais (os dedos continuam mexendo normalmente).
Prótese de Punho: Substituição da articulação por metal e plástico. Tem indicações mais restritas.
O procedimento é realizado geralmente com bloqueio local ou periférico (o membro superior fica dormente) associado a uma sedação leve ou máscara laríngea.
Prognóstico e Recuperação
O pós-operatório varia conforme a técnica:
Imobilização: O tempo de gesso ou tala depende da cirurgia (de poucos dias na denervação a semanas nas fusões).
Pontos: São retirados geralmente após 14 dias.
Reabilitação: A Terapia da Mão é obrigatória para recuperar a força e adaptar o paciente à nova amplitude de movimento.
Resultado: O principal ganho da cirurgia é o alívio da dor. Em troca, procedimentos como as artrodeses (fusões) resultam em alguma perda de movimento do punho, mas que é compensada pela capacidade de usar a mão sem sofrimento.
Quando Procurar o Especialista
Não aceite a dor no punho como “coisa da idade” ou sequela definitiva de uma fratura antiga.
Procure um Cirurgião de Mão se:
Você sente dor no punho que não melhora com repouso.
Teve uma fratura no passado (de rádio ou escafoide) e sente que o punho está ficando rígido.
A dor atrapalha tarefas simples como abrir uma porta ou segurar uma garrafa.
Dúvidas Frequentes (FAQ)
Artrose no punho tem cura? A artrose (desgaste) é irreversível, a cartilagem não se regenera. No entanto, o tratamento (seja conservador ou cirúrgico) é muito eficaz para eliminar a dor e devolver a qualidade de vida.
Se eu operar, vou perder o movimento do punho? Depende da cirurgia. Na denervação e na carpectomia, o movimento é preservado. Nas artrodeses parciais, perde-se cerca de 50% do movimento. Na artrodese total, o punho fica fixo, mas a rotação do antebraço e o movimento dos dedos são mantidos.
Por que uma fratura antiga causa artrose agora? Se os ossos colaram “tortos” ou se houve uma pseudoartrose (não colou), a mecânica do punho muda. Os ossos começam a bater uns nos outros de forma errada, gastando a cartilagem prematuramente, num processo chamado SNAC ou SLAC.
Qual a diferença para a artrite reumatoide? A artrose (osteoartrite) é mecânica, causada por desgaste e uso. A artrite reumatoide é uma doença autoimune, onde o corpo ataca a articulação. O tratamento medicamentoso é diferente, mas as sequelas ósseas finais podem ser parecidas.
Se você se identifica com esses sintomas, uma avaliação especializada é fundamental. Agende sua consulta para um diagnóstico preciso e para iniciarmos o tratamento adequado.
