Síndrome da Intersecção
Você sente uma dor na parte de cima do antebraço, um pouco acima do punho, que piora ao mexer o polegar? Às vezes, sente até um “rangido” ou uma sensação de atrito nessa região? Isso pode ser a Síndrome da Intersecção.
Muitas vezes confundida com outras tendinites, essa condição específica afeta o local onde dois grupos de tendões se cruzam, gerando inflamação e desconforto.

O Que É?
A Síndrome da Intersecção é uma inflamação dolorosa (tenossinovite) localizada no dorso do antebraço, cerca de 4 a 8 centímetros acima da articulação do punho.
O nome “intersecção” vem da anatomia: é exatamente nesse ponto que os músculos que movem o polegar (do primeiro compartimento) cruzam por cima dos tendões que estendem o punho (do segundo compartimento).
Imagine duas cordas esticadas que passam uma sobre a outra. Se houver muito movimento ou inchaço, elas começam a esfregar, gerando atrito, inflamação e dor.
Causas e Fatores de Risco
A principal causa é o uso repetitivo e intenso do punho e do polegar, especialmente em movimentos de extensão (dobrar o punho para trás).
Os fatores de risco e atividades associadas incluem:
Esportes: Remo, canoagem, levantamento de peso e esportes de raquete (tênis) são causas clássicas devido ao movimento repetitivo de munheca.
Trabalhos Manuais: Carpinteiros, jardineiros ou quem usa ferramentas que exigem força de preensão e movimento do punho.
Digitação: O uso excessivo de teclados sem apoio ergonômico pode contribuir.
Anatomia: Algumas pessoas têm uma anatomia muscular que favorece esse atrito.
Sintomas Mais Comuns
Os sintomas são bem localizados e característicos:
Dor no Dorso do Antebraço: A dor não é na “dobra” do punho, mas sim alguns dedos acima dela, na parte de trás do antebraço.
Inchaço (Edema): Pode haver um inchaço visível e alongado na região.
Crepitação (Rangido): Este é o sinal mais marcante. Ao mexer o punho ou o polegar, o paciente sente uma sensação de “areia” ou um atrito áspero dentro do antebraço, como se algo estivesse raspando.
Vermelhidão: Em casos agudos, a pele pode ficar avermelhada e quente.
Diagnóstico
O diagnóstico é eminentemente clínico. O médico especialista palpa o local da intersecção enquanto pede para o paciente mover o punho, identificando a dor e a crepitação característica.
Exames de imagem são importantes para confirmar e descartar outras lesões:
Ultrassom: É um exame excelente para este caso. Ele mostra o líquido inflamatório entre os tendões e o espessamento das bainhas exatamente no ponto de cruzamento.
Ressonância Magnética: Solicitada em casos de dúvida ou persistentes, para avaliar a gravidade da inflamação nos compartimentos tendíneos.
Raio-X: Geralmente normal, mas usado para descartar problemas ósseos.
Tratamento
O objetivo é parar o atrito para que a inflamação diminua.
Tratamento Conservador (Sem Cirurgia):
Repouso e Mudança de Atividade: Evitar o movimento que causou a dor (como remar ou digitar excessivamente).
Imobilização (Órtese): Uso de uma tala que imobiliza o punho e o polegar, mantendo-os em repouso para evitar o atrito dos tendões.
Gelo e Medicamentos: Anti-inflamatórios ajudam na fase aguda.
Infiltração: A injeção de corticoide diretamente na bainha dos tendões inflamados é muito eficaz e costuma trazer alívio rápido.
Terapia da Mão (Fisioterapia): Para analgesia e, posteriormente, fortalecimento e correção do gesto esportivo/laboral.
Cirurgia
A cirurgia é rara, indicada apenas quando o tratamento conservador falha (após meses de tentativa) ou se a dor for incapacitante e recorrente.
O procedimento consiste na liberação do segundo compartimento dorsal. O cirurgião faz uma incisão e abre a bainha que envolve os tendões extensores, dando mais “espaço” para eles deslizarem sem sofrerem compressão pelos músculos do polegar que passam por cima. Também é realizada a limpeza do tecido inflamatório (tenossinovectomia).
A cirurgia é realizada com bloqueio local ou periférico (o braço fica dormente), associado a uma sedação leve ou máscara laríngea. A alta ocorre no mesmo dia.
Prognóstico e Recuperação
O prognóstico é excelente. A maioria absoluta dos pacientes melhora sem cirurgia.
Para os casos cirúrgicos:
Pós-operatório: O paciente usa um curativo ou tala por alguns dias para conforto.
Pontos: São retirados geralmente após 14 dias.
Reabilitação: A Terapia da Mão é iniciada precocemente para evitar aderências cicatriciais e recuperar a mobilidade completa.
Retorno: O retorno aos esportes deve ser gradual, focando na técnica correta para evitar recidivas.
Quando Procurar o Especialista
Não ignore aquele “barulhinho” ou rangido no antebraço.
Procure um Ortopedista ou Cirurgião de Mão se:
Sente dor na parte de trás do antebraço que piora com o uso da mão.
Nota um inchaço ou vermelhidão acima do punho.
Sente uma sensação de atrito ou “areia” ao mexer o punho.
Dúvidas Frequentes (FAQ)
Síndrome da Intersecção é a mesma coisa que De Quervain? Não. Embora sejam vizinhas, a De Quervain dói na lateral do punho (base do polegar). A Síndrome da Intersecção dói mais acima, no meio do antebraço. O médico diferencia pelo local da dor.
O que é esse barulho de “areia” no meu antebraço? Chamamos de crepitação. É causado pelo atrito dos tendões inchados esfregando uns nos outros e na bainha inflamada. É um sinal claro de inflamação ativa.
Posso continuar treinando na academia? Na fase aguda, não. Exercícios que exigem extensão de punho (como supino, rosca direta ou flexão de braço) vão piorar o atrito. É preciso repouso relativo até a inflamação ceder.
A infiltração é perigosa? Quando feita por especialista, é muito segura e eficaz. O corticoide age localmente como um potente anti-inflamatório, “secando” o líquido e permitindo a cura.
Se você se identifica com esses sintomas, uma avaliação especializada é fundamental. Agende sua consulta para um diagnóstico preciso e para iniciarmos o tratamento adequado.
