Pseudoartrose do Escafoide
Você caiu sobre a mão há algum tempo, talvez meses ou até anos, e a dor no punho nunca foi embora totalmente? Você sente desconforto ao apoiar a mão no chão ou ao fazer força? Isso pode ser um sinal de Pseudoartrose do Escafoide, uma condição séria onde uma fratura do escafoide antiga não cicatrizou corretamente.

O Que É?
A Pseudoartrose do Escafoide ocorre quando o osso Escafoide (um dos principais ossos do punho, na base do polegar) quebra e não consegue “colar” (consolidar).
O termo “pseudoartrose” significa “falsa articulação”. Como o osso não cicatrizou, cria-se uma movimentação anormal entre os fragmentos quebrados, onde deveria haver um osso sólido.
O grande vilão dessa história é a anatomia do próprio escafoide: ele tem uma circulação sanguínea muito pobre e delicada. Se a fratura interromper o fluxo de sangue, o osso perde a capacidade de cicatrização e, em casos graves, pode morrer (necrose).
Causas e Fatores de Risco
A causa principal é uma fratura do escafoide não tratada ou não diagnosticada.
Muitas vezes, o paciente cai, sente dor no punho, mas acha que foi “apenas uma torção” (entorse) e não procura o médico. A dor melhora um pouco, mas o osso permanece quebrado.
Outros fatores de risco para a não consolidação incluem:
Tabagismo: O cigarro diminui a circulação periférica, sendo um grande inimigo da cicatrização óssea.
Local da Fratura: Quebras no pólo proximal (a parte mais profunda do osso) têm pior circulação.
Instabilidade: Se a fratura estava desviada e não foi fixada, o movimento impede a cura.
Sintomas Mais Comuns
Diferente de uma fratura aguda, a dor da pseudoartrose costuma ser crônica e “chata”, mas suportável, o que faz o paciente demorar a buscar ajuda.
Dor na Tabequeira Anatômica: Dor na depressão na base do polegar.
Dor ao Apoio: Desconforto ao fazer flexão de braço ou levantar-se da cadeira apoiando a mão.
Perda de Força: Dificuldade para abrir potes ou usar ferramentas pesadas.
Rigidez Progressiva: Com o passar dos anos, o punho vai perdendo o movimento de dobrar e esticar.
Diagnóstico
O diagnóstico precoce é fundamental para evitar o desgaste definitivo do punho (artrose).
Exame Físico: O médico identifica dor pontual sobre o escafoide e limitação de movimento.
Raio-X: Mostra a linha da fratura antiga, muitas vezes com bordas esbranquiçadas (esclerose) e a formação de cistos (buracos) no osso, sinais claros de que não colou.
Tomografia Computadorizada: É o exame mais importante para planejar a cirurgia. Ela mostra o tamanho da falha óssea e se há deformidade do osso (“escafoide torto”).
Ressonância Magnética: Avalia se o fragmento do osso ainda está vivo (vascularizado) ou se sofreu necrose.
Tratamento
Ao contrário de fraturas recentes, a pseudoartrose não cura com gesso. O tecido cicatricial fibroso que se formou entre os ossos impede a união.
O tratamento é quase sempre cirúrgico. O objetivo é limpar esse tecido fibroso, reavivar as bordas do osso, preencher a falha com enxerto e fixar tudo rigidamente.
Se não tratada, a pseudoartrose leva inevitavelmente ao colapso do punho e artrose grave (uma condição chamada SNAC), que causa dor incapacitante.
Cirurgia
A cirurgia para pseudoartrose é complexa e reconstrutiva.
Etapas Principais:
Limpeza: O cirurgião remove todo o tecido fibroso e morto entre os fragmentos.
Enxerto Ósseo: É necessário trazer osso saudável de outro lugar para preencher o buraco e estimular a cura.
Enxerto do Rádio: Retirado do próprio punho (mais comum).
Enxerto da Crista Ilíaca: Retirado da bacia (para falhas maiores, pois é um osso rico em células).
Enxerto Vascularizado: Em casos difíceis onde o osso está quase sem sangue, o cirurgião transporta um pedaço de osso junto com sua artéria nutritiva (microcirurgia) para “regar” o escafoide.
Fixação: O osso é fixado com um parafuso de compressão (Parafuso de Herbert), placa ou fios metálicos.
O procedimento é realizado com bloqueio local ou periférico (braço dormente) e sedação.
Prognóstico e Recuperação
A recuperação é lenta e exige paciência.
Imobilização: Após a cirurgia, o punho fica imobilizado (gesso ou órtese) por cerca de 8 a 12 semanas, até que a tomografia mostre que o osso finalmente colou.
Pontos: São retirados com 14 dias.
Reabilitação: A Terapia da Mão é vital. Após tanto tempo parado, o punho estará rígido. A fisioterapia foca em recuperar o máximo de movimento possível, embora alguma perda de flexibilidade final seja comum nesses casos complexos.
Quando Procurar o Especialista
Se você tem dor no punho que vai e volta há meses ou anos, especialmente se teve uma queda no passado, não ignore.
Procure um Cirurgião de Mão se:
Sente dor no punho ao fazer esforço físico ou academia.
Percebe que seu punho está ficando mais “duro” ou com menos movimento que o outro.
Teve uma fratura no passado e a dor nunca sumiu completamente.
Dúvidas Frequentes (FAQ)
De onde é tirado o enxerto ósseo? Geralmente retiramos da extremidade do rádio (no próprio punho, através da mesma incisão ou uma pequena incisão extra). Em casos mais graves, retiramos da crista ilíaca (osso da bacia), que fornece uma grande quantidade de osso esponjoso de alta qualidade.
E se o osso não colar mesmo com a cirurgia? Isso pode acontecer, principalmente em fumantes. Se a pseudoartrose persistir e a dor continuar, podem ser necessárias cirurgias de “salvamento”, como a retirada dos ossos do carpo (carpectomia) ou a fusão parcial do punho (artrodese) para eliminar a dor.
O que é SNAC? É a sigla para “Colapso Avançado por Não União do Escafoide”. É a consequência final da doença: o escafoide quebrado dobra, o punho desalinha e a cartilagem se desgasta (artrose), causando dor severa. A cirurgia precoce visa evitar chegar nesse estágio.
Quanto tempo demora para voltar às atividades normais? A recuperação é longa. O punho pode ficar imobilizado por 2 a 3 meses. O retorno a esforços pesados e esportes geralmente só é liberado após 4 a 6 meses, quando a tomografia confirma que o osso está totalmente colado.
Se você se identifica com esses sintomas, uma avaliação especializada é fundamental. Agende sua consulta para um diagnóstico preciso e para iniciarmos o tratamento adequado.
